Excerto de um diálogo de um casal que está a resolver questões de comunicação, em Terapia de Casal - passagem de um estilo de comunicação negativo a um positivo:

MEstou cansada, passo o tempo a repetir-me. Estou sempre a tratar de tudo sozinha. Se quero alguma ajuda em casa, tenho de te pedir, explicar como se faz, como se fosse a primeira vez, e tu fazes má cara.

HEstás sempre a criticar-me. Nunca faço nada bem feito, tens sempre alguma coisa a apontar. E olha que a tua cara também não é das melhores! Por isso é melhor estar quieto. Faça o que fizer não vai estar bem. Só faço se pedires!

MNão tenho de te pedir para fazeres as coisas que estão à frente do nariz! Qualquer pessoa vê, se há um cesto de roupa passada a ferro, que é para arrumar, não? Se não for eu a arrumá-la, ela fica ali um mês estacionada.

HSempre que arrumava a roupa, à minha maneira, tu dizias que estava tudo mal! Para ti eu nunca sei fazer nada bem feito.

MSe fizesses como eu te digo... mas assim, mal feito, mais vale não fazeres! Só tenho mais trabalho para depois pôr tudo no sítio certo. Não sei como é que no teu trabalho consegues coordenar alguém, sinceramente!

HPois assim é impossível conversar! Para que é que queres que eu faça as coisas se tu depois vens desmanchar tudo e fazer de novo?

MTu não me ouves! Se me ouvisses e respeitasses não estava gasta, sem energia.

HTu estás sempre a reclamar e a apontar o dedo. És uma eterna insatisfeita.

ME tu um egoísta.

Neste excerto, sobre a partilha das tarefas domésticas e a competência do seu desempenho, o diálogo que o casal estabelece exibe a frustração e a contrariedade em que os dois se encontram. Ambos estão zangados e desgastados, pelo que o tema é debatido com reclamações e acusações mútuas.

A alteração deste tipo de comunicação para um estilo positivo levou a que, progressivamente, no caso da mulher, esta substituísse as correções e críticas que fazia ao companheiro por elogios e valorização das tarefas desempenhadas por este, não obstante o seu grau de eficácia. Enquanto que, no caso dele, a sua desatenção e desvalorização perante as tarefas realizadas pela companheira foram substituídas pela valorização dos desempenhos e reconhecimento das vantagens que a metodologia desta lhe proporcionava a si e à organização do lar.

No caso dos casais, a admiração mútua funciona como o motor que garantirá a ambos sentirem-se reconhecidos e com valor próprio.

Quando os casais conseguem manter um estado de satisfação pessoal constante, a partilha dos vários aspetos da vida torna-se mais tranquila e desejada.

Nos relacionamentos amorosos a linguagem expressa a abertura ao outro e determina, em grande medida, a longevidade do relacionamento. Por isso, para além de ser fundamental conhecer as regras específicas da comunicação nos casais, que são distintas dos restantes tipos de relacionamentos, é imprescindível identificar as subtilezas que comprometem a sua aplicação.

Nos relacionamentos amorosos as boas práticas comunicacionais articulam-se constantemente com vários fatores sensíveis que podem anular as boas intenções do casal. Mas nesta matéria, tal como em tudo na vida, é possível aprender a fazer melhor!

Ana Batarda