Meu Sal reúne um conjunto de escritos poéticos resultantes de sentimentos e emoções partilhados, entre a autora e os seus pacientes, no contexto da prática clínica. À mensagem poética juntou-se a beleza das ilustrações com aguarelas de Rita Almeida (na capa) e desenhos de Ana Luísa Vicente.

Descrevendo realidades de muitas pessoas que acompanhou, Ana Batarda revela, também, a forma como essas vivências relacionais ecoaram para fora de si:

Pela poesia, consegui dar uma nova expressão e ressignificação ao vasto corpo de acontecimentos emocionais que perduram para lá do espaço das sessões. Cada poema possuiu uma fonte inspiradora específica; umas vezes expandiram o sentir de uma só pessoa, outras vezes agruparam tonalidades relacionais idênticas de várias pessoas distintas. Cada poema tem um rosto e uma história para contar. A sua identidade é própria e, se calhar, por isso, tocam-nos. Eles têm em si um pedacinho de gente real, de gente muito sensível... de gente de verdade! Ana Batarda

Para além do reconhecimento, por quem for especialista na área, dos quadros psicopatológicos subjacentes aos poemas, os conteúdos são reconhecíveis por qualquer um, tão simplesmente porque todos tratam dos sentimentos e emoções transversais aos seres humanos. Neste livro abordam-se “coisas da vida”, aquelas coisas que se sente e vive “por dentro” (mesmo que nunca se tenha ido ao Analista ou Terapeuta), e que nem sempre ficam pacificadas, interiormente, por mais tempo que passe.

É bem verdade que é um livro que espelha situações densas do sofrimento e algumas características do funcionamento psíquico mais impactantes, pela natureza crua ou perversa das mesmas, mas não é um livro pesado. É um livro profundo. Meu Sal faz-nos parar para pensar porque nos coloca a sentir. Pensamos porque sentimos.

O livro foi lançado em Portugal, pela Chiado Editora, na Livraria Desassossego, em Lisboa, na presença da autora e com apresentação do Professor Doutor António Coimbra de Matos, prefaciador da obra.

Ana Batarda com o Professor Doutor António Coimbra de Matos.
Ana Batarda com o Professor Doutor António Coimbra de Matos.
Ana Batarda com o Professor Doutor Emílio Salgueiro.
Ana Batarda com o Professor Doutor Emílio Salgueiro.

Algumas apreciações

Ana Batarda, neste livro (Meu Sal, poesia depois da Análise) dá livre curso à sua veia poética. Bem certo, o analista é um poeta; ou não é analista. Lendo estes poemas, vamos, uma vez mais, sonhar e criar de novo. A criação é infinita; e é a salvação. Salve regina (a poetisa)! António Coimbra de Matos, Psiquiatra Psicanalista, in Prefácio
Esta poesia surpreende. Surpreende a capacidade de “dar com” a ordem renascida do caos da dor mental, admirando o que se encontra, traduzindo o choro e o riso para a nova linguagem. Camilo Inácio, Psicanalista
Despida da pele clínica, a autora traça nestas páginas os rasgões, mais ou menos profundos, que nos atravessam a alma. Consegue-se sorrir por entre lágrimas e sentir a força e a esperança de um renascimento a acontecer. Tal como a pérola, esta poesia tem tudo. O brilho e a profundidade. Marta Ramalho, A vida de saltos altos, Expresso online