Para me conhecer ou desconhecer?
Mergulha-se em si próprio num agido consciente ou delirante?
Para onde se lança aquele que mergulha em si?
Há, decerto, procura, uma procura lançada, um desejo de um encontro; busca-se!
Nesta composição plástica, o pintor - Marcos Marinheiro - faz-nos ir por azuis deslizantes, arrasta-nos com intencionalidade de um para outro espaço, provoca-nos e interpela-nos. Diz-nos sai do teu lugar, sai e lança-te sem medo do desconforto. Impulsiona-te e jump, descobre-te e vive!
E, então, agindo e rompendo a cadência compassada do hábito, da monótona previsibilidade do dia a dia, de quem se é e sempre se foi, parte-se de si próprio para melhor se encontrar.
Desloco-me de mim e parto na aventura da viagem mais longínqua que alguma vez imaginar pude. Pelos azuis do céu, pelos azuis do mar, o pintor implica o Homem na possibilidade de ligação a um todo mais completo e perfeito, onde é partícula, mas beleza - tal como esta obra o é.
Ao encontro de mil lugares, sem horas, nem tempo, nem dia, nem noite envolvemo-nos em aventura. E num espanto (im)possível atingimos lugares nunca vistos, embora fartamente conhecidos, surpreendidos pela novidade: é a notícia!
É isto que fazemos quando mergulhamos em nós mesmos: um encontro com a essência de quem sentimos que somos porque o procuramos e queremos descobrir.
Ana Batarda